Sexta-feira, Fevereiro 03, 2012

Djaló, Romana e Carvalho da Silva


Lembrei-me hoje que ainda não tinha escrito nada este ano, o que me deixou bastante transtornado. Sendo assim, e visto que não me apetece ir dormir ou arrumar a cozinha, vamos à habitual revista dos temas da actualidade.

O Yannick Djaló assinou pelo Benfica. Um amigo meu descreveu esta transferência como uma atitude de "agora sem mãos!" no que toca à conquista "iminente" do título de Campeão nacional. A mim, pelo contrário, parece-me que o Benfica chegou ao dia 30 de Janeiro sem negócios sonantes no horizonte, e quando o senhor Vieira viu o Porto agarrar um jogador atrás de outro pegou no que estava mais à mão. Infelizmente, o que estava mais à mão não toca numa bola há coisa de um ano, mesmo quando tocava numa bola todos os dias não tinha muito jeito para a coisa e tem uma filha chamada Lyonce Viiktórya. Espero que estejamos todos enganados e que este seja mais um produto da Academia de Alcochete que acaba campeão numa equipa que não perde com o Moreirense pelo menos uma vez por ano. Futebol à parte, esta movimentação significa que Luciana Abreu já não terá de se mudar de armas e bagagens para o estrangeiro, o que lhe possibilitará continuar a aparecer três vezes por semana nos programas do Goucha. Parecendo que não, quanto menos tempo de antena for dado a Romana vestida de Cyndi Lauper melhor…

Carvalho da Silva estará por estes dias a gozar da sua reforma de dirigente sindical. Numa altura em que se fala tanto da reforma do tio Aníbal, estou pessoalmente mais interessado em saber quanto ganhará o ex-talvez-futuro-secretário-geral da CGTP. Para celebrar tão brilhante carreira, naturalmente, convocou-se mais uma greve. Sou só eu ou alguém tem de explicar a estes senhores que este ciclo não é exactamente sustentável? O país está falido, a vida está difícil, portanto "os trabalhadores" convocam uma greve. Esta greve custa ao país falido mais umas centenas de milhões, tornando a vida ainda mais difícil, pelo que "os trabalhadores" convocam outra greve. E por aí fora. 
Ao mesmo tempo, de repente o principal problema do país é o excesso de feriados. Acaba-se com o 5 de Outubro e com o primeiro de Dezembro, mais dois feriados religiosos, o que fará com que os trabalhadores eficientes contribuam para o desenvolvimento do país com mais trinta e duas horas de trabalho por ano. Infelizmente, fará também com que os (dois ou três) trabalhadores inúteis contribuam para o desenvolvimento do país com mais trinta e duas horas por ano a jogar à sueca, uma vez que os seus "direitos" continuam a impedir (Deus nos livre) que sejam despedidos por não fazerem nenhum. 
A Europa inteira está com dificuldades por estes dias, e no resto da Europa as empresas não são obrigadas a dar emprego a quem não trabalha. Se tivermos isto em conta, até não nos estamos a safar assim tão mal…

Beijos e abraços,
Ginete

Sábado, Dezembro 31, 2011

Os Proglemas de 2011

Ora já que pelos vistos este será o meu último post de revista anual, visto que dizem que o ano que vem vai ser à Fernando Santos e portanto não chega ao Natal, mais vale começá-lo a tempo e horas para não deixar nada de fora. Antes de mais, gosto particularmente do facto de este fim do Mundo ter dia marcado. Dá sempre jeito, até porque uma pessoa tem de ir às finanças para deixar tudo nos conformes, e se um apocalipse aparece assim de repente só o trânsito para lá chegar é o cabo dos trabalhos.

Onze coisas boas que aconteceram em 2011 (para os cépticos que acham que foram só coisas más):
  1. O nosso primeiro-ministro já não se chama José Sócrates. Se há coisa boa que este senhor vez pelo nosso país foi unir pessoas de todos os credos e níveis de inteligência (sim, até militantes do PCP) contra ele.
  2. Acabou oficialmente a Guerra do Iraque. Acho que por esta altura já há pouca gente que concorde com as razões pelas quais começou, mas infelizmente também poucos se lembram que gente continua a morrer nela todas as semanas. O hábito é, às vezes, uma coisa chata e como é óbvio uma cerimónia não vai mudar grande coisa no imediato, mas é um começo.
  3. O Mundo acaba o ano com um saldo negativo de quatro ditadores. Este ano foi mau para a fava, para a beterraba e para o ditador. Desde a Líbia ao Egipto, passando pela Tunísia e pelo Iémen (um dos meus nomes de países favoritos - e eu sou um fã de nomes de países), muita gente finalmente arranjou órgãos genitais para mandar senhores que já estavam no poder há várias décadas para a reforma. Felizmente, na nossa Democracia perfeita já não existem casos desses e portanto não temos nada com que nos preocupar.
  4. Pessoas acamparam em praças. Muitos criticam-nos por supostamente não terem uma causa específica, outros por não se lavarem. Independentemente de tudo isto, a população Mundial finalmente mostrou que ainda não está em coma e que começa a ficar farta de encolher os ombros enquanto pessoas com muito dinheiro e/ou poder fazem o que bem lhes apetece com o pouco dinheiro e/ou poder que os outros ainda vão tendo. Uma pequena nota - enquanto que noutros países se protestava contra a ordem da sociedade global, nós fazíamo-nos de coitadinhos e queixavamo-nos de que a vida anda difícil e de que não há emprego. Custa-me dizer isto, mas às vezes parece que tentamos dar razões àqueles que nos chamam pequeninos.
  5. A popota revolucionou o Natal dos portugueses com esta pérola.
  6. Os senhores separatistas do país Basco decidiram parar de atar explosivos à volta da cintura para matar espanhóis. Pelo menos até se cansarem de jogar a versão basca do Angry Birds - o Tuxeko Xiska.
  7. Pedro Abrunhosa não editou nenhum disco. Positivo, mas parece-me apenas um pequeno passo em direcção a um Mundo perfeito em que não temos de ouvir o senhor a discursar com música de fundo na rádio hora sim hora não.
  8. Pablo Aimar não se lesionou. A brincar a brincar, já não acontecia para aí desde 2003. Ao mesmo tempo, as lesões do Benfica passaram de jogadores importantes como Aimar ou Luisão para o Rúben Amorim, o que sem querer soar mauzinho até é positivo. Infelizmente, este último quer ir embora, o que me deixa preocupado. Pelo menos ainda temos o César Peixoto e o Jardel para absorver a quota de lesões do plantel…
  9. Pessoas más foram presas. No caso de Isaltino Morais, durou dois dias, mas se tudo correr bem pelo menos serviu para mostrar aos senhores Juízes que tal feito é possível, por muitos recursos que o senhor interponha por mês. Já Duarte Lima, para além de ter trazido dezenas de carrinhas de televisão muito interessadas em filmar a porta de minha casa, continua na choldra e quando de lá sair parece que tem à sua espera umas férias alargadas no Rio de Janeiro. Pela Bifolândia, os editores de tablóides que tornaram prática corrente o uso de detectives para aceder às contas de voice mail de famosos e adolescentes desaparecidos, entre outros métodos ligeiramente ilícitos, começam lentamente a ir dentro. No entanto, creio que grande parte da população britânica educada e com mais de três neurónios funcionais (cerca de sete pessoas) só ficará satisfeita quando cada uma destas publicações, que de jornalísticas têm pouco, fechar definitivamente.
  10. O primeiro-ministro italiano já não se chama Silvio Berlusconi. Depois de três mandatos em que claramente se divertiu bastante, talvez estivesse na altura de alguém que se preocupe mais em governar Itália e menos em organizar as melhores festas em Itália. E em controlar todos os meios de comunicação em Itália. E em alterar a constituição para não ser preso em Itália. E, já agora, alguém que não tenha convivido com Octávio César Augusto...
  11. O PCP finalmente mostrou ao que vem ao desejar as condolências ao povo Norte-Coreano após a morte do seu "querido líder". Não é por nada, mas pelo menos agora os 11.7% da população votante portuguesa que votaram nestes senhores já sabem que se em 1974 os tivessem deixado fazer o que queriam, hoje em dia falávamos todos russo. Ou pelo menos com sotaque.
Caso ainda não tenham caído para o lado, onze coisas más que aconteceram em 2011:

  1. A terra fartou-se de tremer. 36 terramotos com intensidade acima de 5 na escala de Richter, um dos quais no Japão a chegar aos 9 e a causar mais de 10.000 mortos. Com o Mundo preocupado com questões climáticas, parece que o planeta anda tão chateado por dentro como por fora.
  2. Morreu gente. Parece inevitável, mas este ano o Mundo ficou mais pobre com a morte de pessoas que fizeram algo de grandioso enquanto cá estiveram. Steve Jobs é o primeiro nome que vem ao de cima, mas outros como Cesária Évora, Artur Agostinho e até Amy Winehouse deixam um vazio que não será fácil de encher. Também houve quem rejubilasse pela morte de outros, como Osama Bin Laden ou Muammar Gaddafi, o que me parece profundamente errado.
  3. O Porto foi campeão.
  4. Esteve calor. Pelos vistos isso é desagradável, porque qualquer dia os pinguins não têm para onde ir. Eu agradeci o Verão prolongado, o que em Inglaterra se traduziu em três semanas de sol em vez de duas.
  5. A Crise (com C maiúsculo, visto ser nome próprio). Depois de no ano anterior a Grécia e a Irlanda terem pedido uns trocos emprestados, este ano foi a nossa vez. A Troika, outro nome próprio que quase foi gasto durante este ano, passou a ser uma nuvem a pairar sobre o país, apesar de muito pouca gente saber muito bem quem são e o que andam cá a fazer…
  6. Bruno Mars lançou seis singles. Felizmente, três destes foram relativamente filtrados, mas os restantes chegaram para causar danos permanentes na minha pessoa,e decerto em muitos de vós. Já não há paciência para ouvir o senhor a gemer, e se o homem gosta tanto de granadas a questão que se impõe é porque é que não engole uma. Sem cavilha, se faz favor.
  7. Um maluquinho norueguês desatou aos tiros e matou muita gente. Se ainda precisássemos de ser lembrados de que há gente com problemas sérios neste Mundo, ao senhor Breivik chegou uma tarde para tratar disso. Uma das maiores tragédias do ano, que felizmente teve a atenção que merecia. Acontece pouco hoje em dia, e ainda assim foi dado maior protagonismo à morte de um pseudo-actor-cantor-modelo que se despistou ao volante do seu carro do que ao assassínio a sangue frio de 69 adolescentes por um lunático de extrema-direita...
  8. Cheias, vulcões e explosões. Parece um filme com Jean Claude Van Damme, mas não é.
  9. O vaivém veio e não vai mais. O programa espacial americano baseou-se durante 30 anos no Space Shuttle, que fez o seu último voo este ano. Infelizmente, não há planos para a sua substituição e como tal não se sabe muito bem quando será dado o próximo grande passo para a Humanidade. Com os dois últimos lançadores russos a explodir ou a perderem-se no espaço, a China avizinha-se como o próximo candidato a enviar um de nós lá para cima. Hoje Portugal, amanhã o Universo…
  10. Portugal apurou-se para o Euro 2012. Em outros tempos, este ponto faria parte da lista anterior. No entanto, com o grupo que nos calhou parece-me que não levarmos três tareias será um resultado positivo. Espero estar enganado (e acontece muito), mas no dia do sorteio quase que me arrependi de ter ficado contente quando demos seis à Bósnia. Mas eu confio no risco ao meio e lá estarei, provavelmente em solo alemão, para nos ver levar na cara de onze senhores loiros com um metro e noventa.
  11. A Casa dos Segredos ainda não foi ilegalizada. Mais do que a questão do limite ao défice, creio que o assunto mais urgente a ser incluído na constituição é este. Mais - na mesma revisão constitucional, deveria ser incluída uma adenda que impeça a Teresa Guilherme de aparecer em qualquer ecrã de televisão desde hoje até ao apocalipse de 21 de Dezembro de 2012. A sério, nunca é tarde.
Agora que já escrevi para cima de 1500 palavras, se calhar acabávamos com isto, não? Um feliz 2012 com todos os clichés que se dizem por esta altura. E saúde. Sobretudo saúde.

Beijos e abraços,
Ginete

Quinta-feira, Novembro 24, 2011

Três coisas que não compreendo

Este post vai ser sucinto e directo ao assunto, visto que me encontro com certas dificuldades em manter os olhos abertos durante mais de cinco segundos.

A primeira coisa é, lá está, a greve geral de hoje. A sério que senti uma ponta de vergonha quando, durante a pausa para almoço no trabalho, vi na BBC a notícia sobre este acontecimento. Para começar, teria curiosidade em saber o que é que os senhores que nos estão a "emprestar" uma pilha de notas acham desta nossa acção de graças... Infelizmente nenhum dos meus colegas se pronunciou sobre o assunto, e eu estava ocupado demais a esconder-me debaixo da mesa para perguntar. Ao mesmo tempo, é de uma estupidez incompreensível achar que esta é a altura oportuna para fazer uso do direito à greve, mais um caso em que a actual geração de pessoas-que-dirigem-instituições cospe no 25 de Abril sem pedir licença. Infelizmente, os tempos conturbados que vivemos fazem com que muita gente pense que a culpa do estado em que o país está é só dos políticos. Por muito maus que estes sejam, a culpa (tal como a selecção) é de todos nós, e é de uma irresponsabilidade nunca vista lavar as mãos e esperar que os problemas se resolvam por magia. De uma maior irresponsabilidade ainda é convocar uma greve geral numa altura em que a Europa inteira olha para nós de lado como um país de gente que gosta de muitos feriados e pouco trabalho...

A segunda é a campanha à volta do filho do senhor Carlos Martins. Como devem imaginar, não tenho nada contra o rapaz e só lhe desejo as melhoras e que corra tudo bem. Contudo, não consigo aceitar que o filho de um jogador de futebol gere um aumento de cem vezes (um, zero, zero) no número de novos doadores de medula óssea por dia. É uma vergonha que estas pessoas achem que a vida do miúdo vale mais do que a de todas as outras crianças que sofrem que problemas semelhantes, pelo simples facto de o pai deste dar pontapés numa bola aos Domingos. Mesmo que esta iniciativa acabe por ajudar outros para além do filho do Carlos Martins, o que duvido bastante, não deixa de ser repugnante que tenha chegado a este ponto... Doar medula óssea é um acto de uma nobreza assinalável, e reduzi-lo a um acto de fanatismo futebolístico era impensável até há quinze dias, pelo menos para mim.

Por fim, e para acabar de uma maneira mais leve, li que os senhores que fazem as pulseiras do equilíbrio estão a ser processados como se não houvesse amanhã. Acho muito bem, mas não compreendo como é que alguém que paga 50 euros por uma fita de plástico tem lata para se queixar que esta não lhes dá força e equilíbrio como prometido... Sou só eu ou isto é o mesmo que comprar o Jornal do Incrível todos os dias e depois queixar-se que, afinal, o presidente da República não foi violado por um extraterrestre durante as férias do Verão em Boliqueime? (há melhores exemplos nos tablóides britânicos, e para além disso creio que o Jornal do Incrível já está morto e enterrado)

Peço desculpa pela falta de energia deste post, mas tenho de ir dormir e já estamos quase em Dezembro, por isso convém escrever qualquer coisa...

Beijos e abraços,
Ginete

Sexta-feira, Outubro 28, 2011

Cenas


Começo este post sem fazer a mínima ideia do que vou falar. Não é a primeira vez e provavelmente não será a última, mas pode ser que saia alguma coisa de jeito.

Nas notícias desportivas em terras lusas, o jogador espanhol e conhecido atrasado mental Joan Capdevilla queixa-se de que está a perder tempo no Benfica. Já sou parte da massa adepta (uma das minhas expressões favoritas em toda a língua portuguesa) do Glorioso há muitos anos, e devo dizer que nunca fui tão orgulhoso de o ser. Já vi o Benfica ser campeão três vezes (inteiras!), já o vi a ganhar ao United e ao Liverpool e a não levar uma tareia assim tão grande do Barcelona. Nenhum destes feitos suplanta o acto nobre de oferecer um contrato ao jogador que expulsou o Ricardo Costa no campeonato do Mundo ao simular uma agressão, só para depois o deixar a apodrecer no banco durante seis meses.  É bonito e o Benfica deve isto à selecção de todos nós - relembro que existe todo um historial de contratar jogadores imediatamente após estes nos causarem desgraças em Euros e Mundiais, desde Karel Poborsky depois de este espetar vistoso chapéu num Vítor Baía com cabelo à tigela até metade da selecção grega depois daquilo que me escuso a descrever por já ter uma lágrima no canto do olho. Melhor do que isto seria contratar o Petit no mercado de inverno e pô-lo em marcação cerrada ao sacana do espanhol nos treinos. Assim talvez ele perceba a diferença entre uma cotovelada imaginária de um menino e uma cotovelada a sério dessa lenda (mais ou menos) viva que é Armando Teixeira.

Fui jantar a um restaurante italiano em Londres onde a quase totalidade dos empregados era de nacionalidade portuguesa. Acontece muito, parecendo que não, mas o que não acontece com tanta frequência é ser servido pelo Toy. Mais - ainda é mais raro ter o privilégio de pedir uma garrafa de água à versão 1985 do artista com a voz mais potente da península ibérica. O senhor que servia à mesa do tal restaurante era cara chapada do homem que tão veementemente nos pedia para chamar o António, mas com menos vinte anos e outros tantos quilos em cima. Pode parecer parvo, mas a minha mente esteve num conflito insuportável durante cerca de sete minutos, uma vez que parte de mim queria pedir-lhe um ou dois versos de "Na Casa do Toy" (a meu ver um dos pontos altos da carreira deste artista), enquanto que o resto de mim achava que isso talvez não fosse boa ideia. Felizmente o meu conflito interno foi rapidamente resolvido, visto que alguém fazia anos e quando o grupo de empregados se juntou para cantar os parabéns fez-se notar um distinto vozeirão que sobressaía do resto do coro. Se não acreditava na reencarnação até hoje, continuo a não acreditar. Mas se alguma coisa faz sentido neste Mundo, essa voz só podia ser a do mini-Toy.

Pelos vistos está neste momento um contingente de carrinhas de televisão estacionado à porta de minha casa. Segundo os meus pais, um senhor que mora no nosso prédio matou uma senhora. Alegadamente. Infelizmente não creio que seja a senhora que falava alto ao telefone a meio da noite e não me deixava dormir quando eu andava no secundário, o que aliás faria pouco sentido porque já não moramos nesse sítio há três anos. No entanto, o que mais me faz confusão é o facto de as ditas televisões passarem o dia a filmar a porta do meu prédio para noticiarem às oito da noite que o dito edifício continua a ser branco com portas vermelhas. Faz-me lembrar os tempos agitados do processo Casa Pia, em que multidões iam para a porta da Polícia Judiciária olhar para o edifício branco onde o Bibi e o Carlos Cruz estavam presos. Senhores, arrumem as coisas e vão à procura de notícias para noticiar ou de edifícios mais interessantes para admirar, visto o meu prédio continuará a ser quadrado, da mesma cor e com o mesmo número de assassinos dentro até o senhor achar por bem sair de casa. Ou até lhe apetecer uma sande de coirato e não ter outra hipótese senão ir ao Campo Grande.

Espero que estes meus delírios, decerto causados pela falta de sono, vos tenham agradado o suficiente para ainda não terem fechado a página depois de lerem a palavra "mini-Toy". Se for esse o caso de uma pessoa que seja, sinto que vale a pena continuar a escrever nesta coisa. Pelo menos quando estou preso num aeroporto à espera que a TAP se lembre de me dizer para me dirigir à porta de embarque, que decerto será de todas a mais distante do ponto onde estou sentado. Mais vale deixar-me de queixinhas e ir andando.

Beijos e abraços,
Ginete

Terça-feira, Outubro 11, 2011

Keep looking until you find it. Don't settle.


Caso não tenham reparado, morreu um dos fundadores da Apple, o senhor Steve Jobs. Podia gastar o meu latim a repetir tudo o que já toda a gente disse, mas estou cansado demais para tal. No entanto, não estou cansado o suficiente para deixar de reparar na quantidade de pessoas que espetaram no seu facebook o discurso do senhor na cerimónia de graduação (viva o acordo ortográfico!) da Universidade de Stanford em 2005. 
Para além de ser bastante criativo e original ir desenterrar um discurso em que alguém que acabou de falecer fala sobre a morte (e contra a previsibilidade não tenho nada), o que me faz alguma impressão é que muitas das pessoas que vi partilharem o vídeo em questão parecem defecar diariamente nas palavras do senhor Jobs. Caros leitores, por favor não fiquem ofendidos - não é minha intenção perder a minha legião fiel de dois leitores e meio, por isso este texto não é sobre ninguém em especial. A sério.

A única coisa em que consegui pensar quando abri o meu Facebook na manhã do dia 5 de Outubro foi na quantidade de voltas (metafóricas) que o senhor Jobs deveria estar a dar na campa. A quantidade de pessoas que publicaram  o supracitado discurso só tem um significado - que este foi inútil. A retórica do senhor teve um objectivo muito simples: o de mudar a vida das centenas de alunos que naquele dia deixaram de ser o futuro e passaram a ser o presente. Das centenas de pessoas que eu vi partilharem o vídeo do discurso no dia 5 de Outubro, contam-se pelos dedos aquelas que eu acredito não terem feito copy, paste e seguido a sua vida como o tinham feito até aí.
O mais impressionante é que, de todos os meus "amigos" que espetaram o discurso no seu facebook sem pensarem duas vezes, muito poucos mostram sinais de perceberem o verdadeiro significado da minha frase favorita do discurso - "Keep looking until you find it. Don't settle". Eu sou bastante novo e conheço gente a mais que já ignorou, a vários níveis, este conselho. Há sempre desculpas muito sólidas e bem ensaiadas para tal - pressões familiares estão sempre no topo da lista, mas "tenho de pensar no meu futuro" e "azar" também gozam de um elevado número de fãs. 
Pressões familiares existirão sempre, e em grande parte dos casos são fruto da uma tentativa paternal de não deixar os filhos caírem nos mesmos erros que eles. Se não o fizessem não seriam bons pais, mas infelizmente o afecto não os deixa perceber que foram esses erros que os fizeram tornar-se no que são hoje. Viver no futuro sem tomar riscos no presente é uma perda de tempo. Se "planear o nosso futuro" funcionsse não haveria crises e todos viveríamos para lá dos 90 anos. Azar é uma motivação, não uma desculpa para não continuar a tentar. 
A verdadeira razão é a falta da sede de fazer algo de extraordinário que levou o senhor Steve Jobs a levantar-se todos os dias da cama, mesmo depois de saber que não lhe restava muito tempo entre comuns mortais como nós. Esta falta de sede é uma das muitas razões para que um país outrora extraordinário como o nosso se tenha tornado o bobo da corte da Europa, e o acto de aceitarem o que a vida lhes oferece ao invés de exigirem mais (e fazerem por isso) é a razão que me irrita que grande parte dos meus "amigos" que partilharam este vídeo em redes sociais não tenham ouvido o discurso do senhor Jobs e pensado sobre o mesmo durante trinta segundos.
Se quem estiver a ler este post achar que é um destes meus amigos-entre-aspas peço desculpa por soar arrogante e mal-educado, mas há coisas que precisam de ser ditas e é só o facto de não me apetecer perder estes "amigos" que me impede de o fazer pessoalmente. Ao mesmo tempo, já me meti em sarilhos suficientes por não ouvir os conselhos de outros para ter a certeza de que post não merece o título "façam o que eu digo, não façam o que eu faço". Para além disso, sou o primeiro a dizer que ainda me falta fazer muita, muita coisa até me sentir merecedor de poder publicar o discurso do senhor na minha página no facebook. 

Sei que se as palavras do senhor Jobs não foram o suficiente para mudar alguma coisa, as minhas o serão ainda menos. Mas não custa tentar.

Beijos e abraços,
Ginete

Sábado, Setembro 24, 2011

Bundesverwaltungsgericht


Segundo um amigo meu, que viveu para cima de seis meses nessa terra fascinante que é a Alemanha, a palavra que dá título a este post significa, portanto, tribunal. Este é só um exemplo do quão estranho é o povo alemão e a sua eterna missão em tornar o mundo o mais eficiente e frio possível. A palavra tribunal, que suponho que exista desde que o alemão se começou a formar, é composta pela aglutinação de uma dúzia de palavras, que suponho que expliquem a ideia da coisa. É o mesmo que se em português lhe chamássemos sítioondeantigamentesecondenavagentemáàforcamasondehojeemdiasóosmandamparaachoçavinteecincoanosoquemeparececlaramentefraquinho porque ninguém se deu ao trabalho de, no século três, inventar um nome para tal establecimento.
Sinceramente não tenho muito que me queixar, visto que a grande maioria do tempo que estou na Alemanha é passado a trabalhar ou tentar dormir mais de cinco horas (um feito raro) antes do turno seguinte, o que não me deixa muito tempo para interagir com os autóctones. Outro facto que é capaz de manchar a minha imagem do país onde David Hasselhoff teve uma carreira musical é o facto de não falar grande coisa de alemão. Normalmente faria um esforço para me desenrascar, e provavelmente acabarei por fazer visto que vou passar um quarto do ano que vem por estes lados, mas sucede que o alemão é uma das línguas mais perfeitamente desinteressantes que já me invadiram as cavidades auriculares. Independentemente do conteúdo do discurso, seja alguém a agradecer-me por o ter puxado da frente de um comboio a alta velocidade ou a chamar-me atrasado mental por lhe ter entornado café em cima, não consigo deixar de ter quase a certeza de que estão a ralhar comigo. Mas pensando melhor no assunto, o facto de eu responder a qualquer tentativa de conversa alemã em inglês é capaz de fazer com que o meu interlocutor esteja, de facto, a ralhar comigo. Nesse caso terei de começar a responder com uma das minhas actividades favoritas, que é disparar a maior quantidade possível de palavrões e insultos em português a alguém que não fala uma palavra da língua de Camões. Não há nada como acusar a mãe de alguém de trabalhar no ramo do entretenimento horizontal e receber um sorriso confuso e um aceno com a cabeça…

O Sporting marcou 3 golos em 15 minutos contra o Vitória de Setúbal. Diz que têm um jogador novo (daqueles 48 que compraram durante o verão) que jogou muito bem e que e chama Ferderico Van Volkswagen. Ou coisa parecida. As boas notícias são que vão para a cama em quarto lugar, o que para a história recente do clube de Alvalade é mais ou menos o equivalente a chegar ao topo do Evereste. As más notícias são que a Académica vai jogar com o Feirense (que empatou com o Porto a semana passada, e não é Natal todos os dias) e o Marítimo com um Guimarães em auto-destruição. Portanto não se exaltem amigos sportinguistas, até Domingo voltam para o vosso lugar cativo…

Está prestes a começar o primeiro Outubro desde 1994 em que não vou estar passar os meus dias sentado numa sala de aulas. Pode parecer palerma, mas é muito estranho… Não que tenha saudades de ouvir engenheiros a tentar explicar-me coisas que a) não percebo nem vou perceber; b) não me interessam ou c) me interessam e percebo, e portanto não preciso que mas expliquem. É mais o hábito de chegar ao fim do verão, comprar dois ou três cadernos e meia dúzia de canetas e lápis e guardá-los numa gaveta, onde passariam os seis meses seguintes a apanhar pó.
Um nadinha mais a sério, estou a demorar tempo a mais a habituar-me à ideia de que já não estou na faculdade. Não que isso torne as coisas mais difíceis, simplesmente tenho de me relembrar constantemente de que não posso ficar acordado até às três da manhã, uma vez que no dia seguinte tenho MESMO de me levantar as sete da manhã, ao invés de pôr um alarme para as sete da manhã, meio-acordar a essa hora, tomar a decisão de que ir à primeira aula da manhã seria mau para a minha saúde e dormir mais duas horas…

Beijos e abraços,
Ginete

Domingo, Setembro 11, 2011

11 de Setembro (confere, é hoje)


Se não me lembrasse que ia passar duas horas dentro de um avião no aniversário do dia em que dois bichos desses foram arremessados contra duas torres bastante grandes, que meia hora depois estavam feitas em mil pedaços, as televisões espalhadas pelo aeroporto a mostrar imagens de dois aviões a serem arremessados contra duas torres bastante grandes, e destas a desintegrarem-se em mil pedaços meia hora depois trataram do assunto. No hilariante filme "Aeroplano", o filme que passa nos monitores enquanto os pilotos, inconscientes, estão a ser arrastados pela cabine é o de um avião em chamas durante uma aterragem falhada. Por esta razão, não consegui fazer outra coisa que não partir-me a rir quando caminhava para a minha porta de embarque, rodeado de monitores de televisão que repetiam insistentemente imagens de aviões a bater em torres. Suspeito que pessoas com medo de andar de avião não tenham achado tanta piada, mas não há de ser nada.

Se Baptista Bastos me perguntasse onde estava no 25 de Abril, infelizmente a resposta seria em lado nenhum, porque nessa altura estava a 19 dias de fazer menos quinze anos. No entanto, se o mesmo mítico entrevistador inquirisse sobre o meu paradeiro aquando dos atentados de 11 de Setembro de 2001 poderia contar exactamente e com uma precisão assustadora tudo o que fiz nesse dia. Ao mesmo tempo, poderia também contar em detalhe a história da pessoa tão hilariante quanto desconhecida que decidiu telefonar para a minha escola duas semanas depois dos supracitados atentados a tentar a sua sorte e a fazer ela própria uma ameaça de bomba que nos mandou todos para casa no Dia Europeu sem Carros. Naturalmente, demorámos cerca de três horas a percorrer um caminho de vinte minutos, devido à ideia de génio do Dr. João Soares e companhia, mas chegámos a casa sãos e salvos e voltámos à escola, que com muita pena nossa ainda estava de pé, na manhã seguinte.
Igualmente, tenho pena de nunca ter visitado Nova Iorque antes dos atentados. Não sei se mudaria muito, mas a verdade é que das duas vezes que visitei a cidade dei por mim à procura das duas torres gigantes que me tinha habituado a ver no skyline da cidade durante anos de filmes e séries. De qualquer das maneiras, é impossível não ter admiração por uma cidade tão habituada a ter as ruas cheias de gente ocupada demais para perceber que o lugar onde vive é diferente de todas as outras cidades do Mundo. Ao mesmo tempo, e apesar do constnte estado de caos que se respira na cidade, estaria a mentir se dissesse que se tivesse uma oportunidade de viver em Nova Iorque não pensaria no assunto…

E bom, foi um prazer falar convosco mas a senhora hospedeira está a mandar-me desligar o computador, por isso a minha dissertação sobre o quão mau o Sporting é tem de ficar para a próxima.

Beijos e abraços,
Ginete